24 mayo, 2007

Coisa tua,nenhuma.


Um desejo insólito de preencher todas as linhas nas mãos com onomatopéias que caem enquanto eu vou soluçando de tanto engolir o pranto, não consigo mais voltar aquela semi-racionalidade que ocorria-me,agora é quase-tudo denso e no fim não caí sequer uma gotícula de suor,arrebentar as metades e desconstruir os fracassos que pintei nas paredes internas,tenho consciência da falta de sentido,é uma relação saudável de servidão. Rapidamente uma mosca voa em direção a minhas mãos, eu sinto um tremor seguido daquele arrepio que rouba meu tédio e fica circundado de um quase-sorriso,eu ainda enxergo as pálpebras do inseto e talvez até perceba algum vocábulo naquilo,aquecendo as bochechas com água quente e comprando um inseticida,perfurando cada vez mais o ozônio com os aerossóis desbotando,quase-o-tempo-todo eu sinto o cheiro da fumaça e quero fazer jus aquele circulo dos olhos,nunca neguei minha dificuldade além do aparente para nomenclaturas,é tudo símbolo e ocorre aquele mito da caverna,é triste ser sombra.Percorro-me num segundo com as unhas já roídas de tanto seguras moscas, fico conduzida e disseco meu circulo de açúcar, eu nunca quis voar,saltar de um prédio ou praticar essas violências olímpicas,é fraqueza e o cérebro ferve a cada grafia.Aprender a prova real e nunca dividir, colocar a prova o que se sente na ponta das xícaras, ando tão menos existencial, vivendo no que não acontece ou deixando que o projeto paralelo me invada tão febrilmente que esqueço,subitamente recordo e prossigo as torturas,o agora passa e eu fico a procurar,um quebra cabeça que a chuva desmanchou,secar-enxugar-molhar,eu desabo em todo lugar e se encostar começo a dormir,alterações climáticas de um amor que gesticula tão bravamente,ninguém entende e os céticos berram nas minhas pernas,minha pele enfeitando móveis na sala de mal-estar,torturar até onde se obriga a palavra a sucumbir e me levar junto,distante das moscas e aquecida nas mãos secas de quem nunca enxerga e engole,eu vou com o fluxo e sem pontos,um tanto quanto explodindo em fios de cabelo e grudada a uma crueldade peculiar,sorrir ao se cortar acreditando piamente na funcionalidade daquilo,cobaias.



7 comentarios:

Rodrigo dijo...

 

andei lendo os posts ...
a surrealidade e os sentimentos, neles expressos, são de certa forma encantadores.

:D

 

Fênix dijo...

incrivelmente lindo seus textos... metáforas surreais... perfeitos!

gostaria de manter contato com você se possível.

=D

Anónimo dijo...

Nossa.

Lí. re-lí.

E embasbaquei.

O que eu posso dizer? Parabéns.

Juno

http://junofoster.blig.com.br

Anónimo dijo...

Linkei você.

Abraços

Juno

http://junofoster.blig.com.br

tayná. dijo...

nos teus calos, os cálculos perdido de uma amanhã sem resposta. tão quente que a frieza vinda da tua boca congela o mundo e derrete os meus olhos. tão intensamente profunda, sem ser redundante. irracionalmente lúcida, adoro.

Cátia Margarida dijo...

Seguindo o habito de te ler no teu fotolog, tomei a liberdade de entrar no seu blog e te descobrir novamente BRILHANTE por entre as palavras. Continuarei a visitá-lo se nao te importares...
um beijo*

www.fotolog.com/pedintedealmas7

Anónimo dijo...

Olá. Tudo bem? Abraços

Juno