
Isolada. É sempre bom começar com um adjetivo, ainda mais se for algo denso e capaz de causar piedade, não quero mais anotar. Estou dentro de uma caixa e existem milhares de fotógrafos, não consigo sequer piscar os olhos, estou revoltada. Cansei. Anotações-sem-amor-porém-urbanas,se escrevesse um livro talvez esse titulo se impusesse,essas coisas não se escolhem,elas nascem e se estabelecem,assim como os regimes ditatoriais.Eu estou num país que não me comove e ainda assim eu me sinto triste,é uma melancolia tão infinita que poderia cobrir as ruas e chamar um carnaval fora de época, todos em silencio percorrendo ruas,todos sem um pingo de vida própria.
Estou aqui. Não que isso seja raro ou especial, estar é até bem vulgar e entediante, sou comum e vou perambulando pelo lado mais ensolarado de algumas existências, eu não existo. Chame de crise ou qualquer coisa que soe contemporânea e aborde a solidão, eu persigo pessoas porque no fundo sempre estive só e dói, é como uma agulha que todo dia penetra um pouco mais, talvez eu esteja doente. Eu não sei, mas resisto a todas as tentações, as pessoas e seus universos recreativos representam o perigo real, eu me abandonei faz muito tempo, agora um eco grita e faz querer voltar,ainda não sei.
Não se assuste, não é o fim. Vou tocando cada anotação, essas mortes-simplórias-e-escuras já fazem parte do que sou, não encontro mais a moça do gramofone, não há nenhuma paixão em estar no abismo, existem tantas pedras e não há um animal capaz de emitir som, sinto saudade da civilidade,no entanto essa caverna é tão mais confortável. Eu odeio pessoas, eu odeio todas as pessoas de forma igualitária, é bonito pensar que agora estou conspirando, escrevo para desabar e desconstruo aquilo que não existe, é importante captar a mensagem, não basta respirar e ter uma rotina, amar é sempre uma prisão. Agora resta-me um copo de vodka,é nacional e fico lamentando enquanto ouço o barulho dos vizinhos brigando, talvez eu precise de um cachorro ou algo que simule uma presença, talvez eu precise deixar para trás a valentia, não ter coragem é a grande prova de que se faz parte da humanidade, estou mais animal.
É tudo.Hoje só posso enviar esse relato,é meu trabalho sempre escrever algo e sobram-me as tarefas frustrantes,eu não acho divertido,apenas fumo meu cigarro e vou grafando o que enxergo, minhas mãos tremem e nunca usei drogas. Agora continuo aqui e faço desse disfarce meu relato, ainda não fui atropelada e a sorte não virá dessa maneira, veneno seria poético, enfim prefiro seguir ordens,estou enviando, despacho um comentário-qualquer-a-respeito-de-minha-vida-mal-formada, minha-vida. É necessário gritar assim, com carinho vou despejando os papéis e jogo-me sobre impotências.
Estou aqui. Não que isso seja raro ou especial, estar é até bem vulgar e entediante, sou comum e vou perambulando pelo lado mais ensolarado de algumas existências, eu não existo. Chame de crise ou qualquer coisa que soe contemporânea e aborde a solidão, eu persigo pessoas porque no fundo sempre estive só e dói, é como uma agulha que todo dia penetra um pouco mais, talvez eu esteja doente. Eu não sei, mas resisto a todas as tentações, as pessoas e seus universos recreativos representam o perigo real, eu me abandonei faz muito tempo, agora um eco grita e faz querer voltar,ainda não sei.
Não se assuste, não é o fim. Vou tocando cada anotação, essas mortes-simplórias-e-escuras já fazem parte do que sou, não encontro mais a moça do gramofone, não há nenhuma paixão em estar no abismo, existem tantas pedras e não há um animal capaz de emitir som, sinto saudade da civilidade,no entanto essa caverna é tão mais confortável. Eu odeio pessoas, eu odeio todas as pessoas de forma igualitária, é bonito pensar que agora estou conspirando, escrevo para desabar e desconstruo aquilo que não existe, é importante captar a mensagem, não basta respirar e ter uma rotina, amar é sempre uma prisão. Agora resta-me um copo de vodka,é nacional e fico lamentando enquanto ouço o barulho dos vizinhos brigando, talvez eu precise de um cachorro ou algo que simule uma presença, talvez eu precise deixar para trás a valentia, não ter coragem é a grande prova de que se faz parte da humanidade, estou mais animal.
É tudo.Hoje só posso enviar esse relato,é meu trabalho sempre escrever algo e sobram-me as tarefas frustrantes,eu não acho divertido,apenas fumo meu cigarro e vou grafando o que enxergo, minhas mãos tremem e nunca usei drogas. Agora continuo aqui e faço desse disfarce meu relato, ainda não fui atropelada e a sorte não virá dessa maneira, veneno seria poético, enfim prefiro seguir ordens,estou enviando, despacho um comentário-qualquer-a-respeito-de-minha-vida-mal-formada, minha-vida. É necessário gritar assim, com carinho vou despejando os papéis e jogo-me sobre impotências.
2 comentarios:
Perfect!!!
Raisa, me emocionei com teu texto. De coração! Senti uma vontade de chorar quando li estas 2 partes do texto: "(...)eu persigo pessoas porque no fundo sempre estive só e dói, é como uma agulha que todo dia penetra um pouco mais, talvez eu esteja doente. Eu não sei, mas resisto a todas as tentações, as pessoas e seus universos recreativos representam o perigo real, eu me abandonei faz muito tempo, agora um eco grita e faz querer voltar, ainda não sei.(...)"; e "(...)Eu odeio pessoas, eu odeio todas as pessoas de forma igualitária, é bonito pensar que agora estou conspirando, escrevo para desabar e desconstruo aquilo que não existe, é importante captar a mensagem, não basta respirar e ter uma rotina, amar é sempre uma prisão.(...)". É exatamente o que eu sinto... a solidão, o ódio ao ser humano - o ser "racional" mais irracional do planeta, a necessidade cruel, obsessiva e atroz de se ter um pouco de companhia para preencher as lacunas vazias de minha alma e, principalmente, a dor que tudo isso causa e o subseqüente desejo de morrer definitivamente, e não de forma lenta e fragmentária, como tenho feito durante toda a vida. Beijos! Te adoro!
Viver dói... lembrei de uma música ao ler seu escrito:
"A esperança está grudada na carne
Que diferença há entre o amor e o escárnio?
Cada carinho é o fio de uma navalha
Oh, baby, não chore
Foi apenas um corte
A vida é bem mais perigosa do que a morte
Suporte, oh, baby, suporte"
sem mais.
um grande abraço!
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